Por que o São Paulo é chamado de Soberano?
O São Paulo é chamado de Soberano por causa da sequência de conquistas que culminou em 2008, quando o clube ganhou o Campeonato Brasileiro pela terceira vez seguida (2006, 2007 e 2008) e chegou ao sexto título nacional, algo que nenhum outro time tinha feito na era do Brasileirão iniciada em 1971. Somado ao tricampeonato da Libertadores e aos três títulos mundiais, esse domínio levou torcida e imprensa a tratar o clube como uma espécie de soberano do futebol brasileiro.
A seguir, o leitor encontra o significado da palavra, o caminho do tri de Muricy Ramalho, a tarde decisiva no Bezerrão, as conquistas internacionais que sustentam o apelido, o efeito da unificação de títulos de 2010 e o uso do termo hoje.
Resumo rápido sobre o apelido Soberano
- Quando surgiu: em 2008, com o hexacampeonato brasileiro.
- Motivo principal: o primeiro tricampeonato consecutivo do Brasileirão, em 2006, 2007 e 2008.
- Técnico da era: Muricy Ramalho, campeão nas três temporadas.
- Jogo do título de 2008: Goiás 0 x 1 São Paulo, em 7 de dezembro, no Estádio Bezerrão, em Gama (DF), gol de Borges.
- Reforço internacional: Libertadores de 1992, 1993 e 2005 e títulos mundiais nos mesmos anos.
- Autor do termo: não há registro de um criador identificado; o apelido se espalhou entre torcedores e imprensa.
- Na cultura: deu nome ao documentário Soberano: Seis Vezes São Paulo, lançado em 2010.
O que significa ser soberano no futebol
No dicionário, soberano é quem detém o poder supremo. Em sentido figurado, a palavra serve para algo que se destaca de forma absoluta sobre os demais. No futebol, a ideia é de hegemonia: um time que, por um período, não encontrou rival à altura.
Diferentemente de apelidos mais antigos do São Paulo, o Soberano tem origem estatística. Ele resume uma marca concreta: ninguém havia vencido o Campeonato Brasileiro três vezes seguidas desde 1971. Ao fechar o ciclo em 2008, o clube também se isolou como maior vencedor da competição na contagem que valia naquele momento, com seis taças.
Não há registro confiável de quem usou a palavra primeiro. Ela se espalhou logo após a conquista de 2008 e passou a ser repetida pelos próprios torcedores.
O tricampeonato de 2006 a 2008, título a título
O primeiro passo veio em 2006. Sob o comando de Muricy Ramalho, o São Paulo garantiu o título na 36ª rodada, com duas rodadas de antecedência, após empate por 1 a 1 com o Athletico Paranaense, gol de Fabão. A campanha somou 78 pontos, com 22 vitórias, 12 empates e quatro derrotas. O time teve o melhor ataque e a melhor defesa, e Rogério Ceni foi eleito o melhor jogador. Foi o primeiro título brasileiro do clube desde 1991.
Em 2007, a superioridade ficou ainda mais evidente. O título chegou em 31 de outubro, com 3 a 0 sobre o América de Natal no Morumbi, quatro rodadas antes do fim. A equipe sofreu apenas 19 gols em 38 partidas, marca lembrada como a melhor defesa da história dos pontos corridos. A campanha terminou com 77 pontos.
O tri de 2008 foi o mais dramático. O São Paulo começou mal, chegou a ficar a uma distância grande do líder Grêmio e só assumiu a ponta na 33ª rodada. Com Hernanes eleito o craque do campeonato, o time somou 75 pontos, três a mais que os gaúchos, e decidiu tudo na última rodada.
A tarde do hexa no Bezerrão
A rodada final de 2008 foi disputada em 7 de dezembro, com todos os jogos no mesmo horário. O São Paulo enfrentaria o Goiás fora de casa, mas a partida não aconteceu em Goiânia: punido pelo STJD por causa de uma briga envolvendo torcedores, o Goiás teve de mandar o jogo no Estádio Bezerrão, em Gama, no Distrito Federal.
O Grêmio, três pontos atrás, venceu o Atlético-MG por 2 a 0 no Olímpico, mas dependia de uma derrota paulista. Aos 22 minutos do primeiro tempo, Borges aproveitou um rebote dentro da pequena área, em lance que começou com cobrança de falta de Rogério Ceni, e marcou o gol da vitória por 1 a 0. Relatos da imprensa apontam que o atacante estava em posição irregular, o que alimentou reclamações dos adversários.
Antes da partida, o árbitro inicialmente escalado, Wagner Tardelli, foi retirado pela CBF após boatos sem provas e substituído por sorteio. Com o apito final, o São Paulo se tornou hexacampeão brasileiro e tricampeão consecutivo. Foi dali que o Soberano ganhou as ruas.
As conquistas internacionais por trás do apelido
O tri nacional não chegou isolado. Na década de 1990, sob o comando de Telê Santana, o São Paulo havia conquistado a Libertadores em 1992 e 1993 e, nos mesmos anos, a Copa Intercontinental, contra o Barcelona e o Milan, em Tóquio. Em 2005, com Paulo Autuori no banco, o clube ganhou a terceira Libertadores, com goleada por 4 a 0 sobre o Athletico Paranaense na final, no Morumbi, e depois o Mundial de Clubes da FIFA, ao vencer o Liverpool por 1 a 0 no Japão, gol de Mineiro.
Quando o hexa brasileiro chegou, o São Paulo era o único clube do país com três Libertadores e três títulos mundiais. Essa soma de troféus em um intervalo curto, de 2005 a 2008, ajuda a explicar por que o apelido soou natural.
| Ano | Conquista | Detalhe |
|---|---|---|
| 1992 | Libertadores e Intercontinental | Final mundial contra o Barcelona, em Tóquio |
| 1993 | Libertadores e Intercontinental | Final mundial contra o Milan, em Tóquio |
| 2005 | Libertadores e Mundial de Clubes da FIFA | 4 a 0 no Athletico na final continental; 1 a 0 no Liverpool |
| 2006 | Campeonato Brasileiro (4º título) | Título na 36ª rodada, com 78 pontos |
| 2007 | Campeonato Brasileiro (5º título) | Título na 34ª rodada; 19 gols sofridos em 38 jogos |
| 2008 | Campeonato Brasileiro (6º título) | 1 a 0 no Goiás, no Bezerrão, na última rodada |
| 2010 | Documentário Soberano | Filme sobre os seis títulos brasileiros, contado pela torcida |
A unificação de 2010 e o debate sobre os números
Parte da força do apelido estava no fato de o São Paulo ser, ao fim de 2008, o maior campeão brasileiro. Esse cenário mudou em dezembro de 2010, quando a CBF passou a reconhecer como títulos brasileiros as edições da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, disputadas entre 1959 e 1970. Com a unificação, Palmeiras e Santos foram a oito títulos cada um e ultrapassaram o São Paulo na lista oficial.
A mudança também relativizou a ideia de pioneirismo no tri consecutivo. O Santos de Pelé, por exemplo, venceu a Taça Brasil cinco vezes seguidas, de 1961 a 1965. Por isso, a forma mais precisa de descrever o feito são-paulino é dizer que o clube foi o primeiro tricampeão consecutivo do Brasileirão disputado a partir de 1971, e o primeiro a fazê-lo no sistema de pontos corridos, adotado em 2003.
Como o apelido é usado hoje
Em setembro de 2010, chegou aos cinemas o documentário Soberano: Seis Vezes São Paulo, dirigido por Maurício Arruda e Carlos Nader, que conta os seis títulos brasileiros (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008) pelo olhar dos torcedores.
Nos anos seguintes, o São Paulo passou um longo período sem títulos de grande expressão, e o Soberano virou também alvo de ironia dos rivais. A Copa Sul-Americana de 2012, a Copa do Brasil de 2023, a primeira do clube, e a Supercopa do Brasil de 2024 devolveram o tom de orgulho. Hoje o termo convive com outros apelidos, como Clube da Fé e Tricolor, em faixas, cantos e redes sociais.
Perguntas frequentes sobre o apelido Soberano
Quem criou o apelido Soberano?
Não há registro de um autor identificado. O termo surgiu entre torcedores e jornalistas logo após o hexacampeonato de dezembro de 2008.
Em que ano o São Paulo passou a ser chamado de Soberano?
Em 2008, depois da vitória por 1 a 0 sobre o Goiás na última rodada do Brasileirão, que garantiu o terceiro título seguido e o sexto da história do clube.
O São Paulo ainda é o maior campeão brasileiro?
Não. Depois da unificação de títulos feita pela CBF em 2010, que incluiu a Taça Brasil e o Robertão, Palmeiras e Santos passaram o São Paulo, que segue com seis conquistas do Campeonato Brasileiro. O Palmeiras é hoje o líder isolado da lista oficial.
Quem era o técnico do São Paulo no tricampeonato?
Muricy Ramalho, que comandou o time nas três campanhas, de 2006 a 2008. Rogério Ceni foi eleito o melhor jogador do campeonato em 2006 e 2007, e Hernanes recebeu a distinção em 2008.
Qual a diferença entre Soberano e Clube da Fé?
O Clube da Fé é bem mais antigo, dos anos 1930, e está ligado à capacidade de superação do clube em momentos difíceis. O Soberano é um apelido do século 21, nascido de uma marca esportiva: a hegemonia no Brasileirão entre 2006 e 2008, somada aos títulos internacionais.